segunda-feira, 17 de abril de 2017


Dampyr 204
As estrelas ao crepúsculo


"É somente cinema, baby! Somente cinema..."
Assim se concluía "A Câmara Demoníaca", décimo oitavo número de Dampyr, publicado em setembro de 2001, de autoria de Maurizio Colombo e Luca Rossi, certamente um entre os episódios mais amados dos primeiros anos da série (não por acaso, relançado recentemente no livro intitulado Dampyr. Os Mestres da Noite). O bem sucedido mix de horror e citações cinematográficas, volta quase dezesseis anos depois com um edição intitulada explicativamente Bloodywood, que se passa anos depois da morte do Mestre da Noite Musuraka, o diretor maldito e, realizado pela inédita dupla formada por Giorgio Giusfredi e Michele Cropera.

Bloodywood é uma homenagem ao cinema de outros tempos. A história parte da relação entre as excentricidades das divas e as atrocidades dos sugadores de sangue, colocando Harlan, Kurjak e Tesla novamente na pista do já citado Mestre Alexis Musuraka, que transformava os seus seguidores a se assemelharem terrivelmente com as celebridades do cinema, e que parece ter conseguido criar problemas para os protagonistas anos depois de ser eliminado. Os nossos investigam a realização de alguns truculentos snuff-movies, filmes em que toda cena mostra eventos realmente acontecidos, também e sobretudo sanguinolentos. Retornando no papel, não apenas os vampiros que assumem as faces das grandes estrelas da grande tela, mas também a paixão pelo cinema. Encontramos assim, faces conhecidas como o Gordo e o Magro, Lauren Bacall, uma jovem Marylin Monroe e tantos outros que vamos evitar de citar para quem ler a edição reconhecer. 
Depois de tantas citações e da evidente atmosfera retrô e apaixonada que permeia o episódio, destacamos que retornarão para espiar alguma dose saudável de splatter.


Na autoria da história lemos o nome de Giorgio Giusfredi que, embora tecnicamente novo para a série regular de Dampyr não é completamente inédito a quem está familiarizado com o quadrinho Bonelli: além de desenvolver atividades na redação,Giusfredi já tinha realizado um episódio de Zagor ao lado de Maurizio Colombo, também duas histórias breves de Dampyr publicadas na Riminicomix e sobre as espaçosas páginas de Suzy & Merz publicadas nas primeiras páginas de vários Magazine (desenhadas por Paolo Bacilieri).
Na teoria era um teste difícil, pegar o fio para criar uma história muito amada (que com um toque de estilo vindo a ser citada no início da edição, como se fosse um filme de 2001), mas nós podemos afirmar que conseguiu superar o teste, com estilo discreto, realizando páginas muito agradáveis, uma leitura prazeirosa.



Ao seu lado, um desenhista elegante como Michele Cropera, que estamos de olho desde os tempos de Lazarus Ledd e cujo estilo parece ter conhecido uma grande evolução. Se durante anos estávamos habituados a seu traço "nervoso" e intenso, para este episódio Cropera escolheu intensificar seu trato e consegue reinvocar eficazmente atmosferas tão vintage.
Em suma, se nao vos assustarem os sonhos hollywoodianos, que ao escurer se transforme em pesadelo vermelho sangue, e as estrelas que deixar de brilhar para dar vida à escuridão, esta pode ser a história feita para vocês.

O Chefe da Redação



Publicado originariamente no blog: gliaudaci.blogspot.it   

Um comentário:

Sílvio Raimundo da Silva disse...



A capa é linda, principalmente por trazer a Valentia do Crepax junto ao Harlan :-)
Fiquei curioso em relação a história que originou esta...