sábado, 28 de maio de 2016


Crítica: Dampyr 193 - Os Mistérios de Cagliari

Escrita por Jacopo Cerreti


"Não posso, Desiada! Eu... não sou mais humano!
- Eu sei, ao contrário... É mais do que muita gente!"
- de Dampyr 193


VIAGEM A SARDENHA
Uma das marcas dos heróis bonellianos é, frequentemente, a distância com o leitor. Isso favorece imaginar o que acontece nas continuações e, em pobres palavras, nos faz sonhar. Não significa que um herói como Tex transmita mensagens que não sejam atuais e incoerentes com o tempo do leitor, quando muito que os locais das ações raramente coincidem com as ruas que todos os dias transitamos.
São raras as exceções em que os heróis Bonelli visitam as nossas cidades italianas, e sempre que isso acontece eles se tornam protagonistas das histórias nas ruas, e as histórias eles que contam. Recentemente Julia esteve em Gênova e depois em Nápoles, para encontrar o seu grande amor Ettore; Ringo, na segunda estação de Órfãos, atravessou as planícies de uma Itália pós apocalíptica.
Poderia talvez faltar o Dampyr Harlan Draka? Absolutamente não! Quais as melhores locações da Sardenha, Cagliari em particular, para contar um antigo conto de horror? 


NADA DE SE BRONZEAR PARA HARLAN
A primeira coisa que vem a mente quando se fala da Sardenha, são as suas explêndidas praias, iluminadas por um sol generoso, em especial nas horas mais quentes, todos os recantos desta terra tão antiga quanto fabulosa. 
Pegue o parágrafo anterior e esqueça-o: em Os Mistérios de Cagliari vão ver sobretudo às ruas mais escondidas e antigas do local, o que acontece debaixo da terra, ao escuro da noite, na plena tradição dampyriana. Sem antecipar muito da trama, saibam que no caldeirão montado por Mauro Boselli, encontraremos muitíssimos ingredientes misturados (talvez demais): uma antiga tragédia dos inquisidores espanhóis contra os judeus; um menino não morto que consegue suscitar bondade e um sentimento de amor também em uma escrava não morta; uma dupla de estudiosos sardos que colocam luz sobre a antiga tragédia e que solicitam a intervenção de Harlan Draka.
Como nas outras edições Bonelli com ambientações italianas, o protagonista será deixado um pouco de lado para dar espaço às lendas e aos fatos contados do local.


UMA AGRADÁVEL VIAGEM
Embora a edição tenha como principal defeito o fato de ser caótica, no entanto, consegue seu intento de divertir e fazer refletir. A história de Mauro Boselli se apóia nos sólidos desenhos de Nicola Genzianella, extremamente adaptados à história narrada. A representação das ruas de Cagliari beiram à perfeição, assim como, são bem evidenciadas as expressões faciais a cada emoção provada pelos protagonistas. Genzianella convence, seja nas cenas de ambientes fechados, seja nos abertos, onde consegue dar uma consistência quase sólida do escuro da noite.
Recomenda esta edição, seja para leitores habituais de Dampyr, seja aos neófitos do caça vampiros. Os Mistérios de Cagliari dá aos primeiros qualquer coisa de inédito, e aos segundos a curiosidade de se aproximarem de um personagem que merece toda atenção dos leitores.


Crítica publicada originariamente no site: www.c4comic.it 

quinta-feira, 26 de maio de 2016


MAIS UMA PÁGINA!
O desenhista Luca Rossi com Romina Denti, a responsável pela coloração da edição 200. 

terça-feira, 24 de maio de 2016


MEXERAM COM O CARRO ERRADO!
O simpático serial killer, Jeff Carter está em Port Principe - Haiti, provavelmente escondido... O que os jovens que foram tentar assaltá-lo, não contavam com isso. Literalmente o tiro saiu pela culatra! O súdito da Rainha Elizabete mostrou que não é simples turista!
Imagens de Dampyr 193 - A Ilha dos Piratas - História de Boselli com desenhos de Dotti.

domingo, 22 de maio de 2016


A MORTE DE KURJAK!
Não, não pode ser verdade! No futuro, um Harlan Draka envelhecido, recebe a visita de um senhor, na livraria Obrazek, que lhe mostra um livro. O livro do tempo perdido... onde Dampyr vê o futuro... Na sequência abaixo, podemos ver com os olhos de Harlan, a morte de nosso soldado! 
 
 
Harlan & pards juntamente com o mercenário T-Rex e seus soldados, estão nos confins entre o Vietnam e o Camboja. Estão no encalço de Tziao-Min, que na época da Guerra do Vietnam vampirizou soldados americanos. Kurjak não está bem, uma tosse estranha tem incomodado ele... Com a ação controlada, Dampyr e Kurjak entram no templo que é o possível esconderijo do Mestre da Noite, que deixou um pouco de sua matéria orgânica para ser encontrada.
Com a partida resolvida, Kurjak "solta uma bomba", essa foi sua última missão... todos ficam surpresos, especialmente Tesla, pois ela, por amor, tentou fazê-lo aceitar a proposta de Draka Pai, de transformá-lo num não morto livre... pois Draka Pai não tem poderes para livrá-lo do câncer que o consome, e, ele não aceitou. Há uma tentativa de demovê-lo da decisão... então, eis que surge o Tenente Carey, do exército dos Estados Unidos, vampirizado por Tziao-Min, na época da guerra e os ataca... nosso amado soldado, ferido gravemente sucumbe nos braços de sua amada! Suas últimas palavras para ela: "- Morro de pé, não? - Foi belo amá-la, Tesla..."


A história é de Claudio Falco e os magistrais desenhos são de Fabio Bartolini. (Imagens retiradas do Dampyr Especial 2015 - O Livro do Tempo Perdido)  


sexta-feira, 20 de maio de 2016


UM ESPERADO ENCONTRO... DYLAN DOG & DAMPYR
História de Roberto Recchioni e Daniele Bigliardo, para o tão esperado encontro. Os caçadores de horror da Bonelli vão realmente se encontrar, ainda sem data de lançamento.

quarta-feira, 18 de maio de 2016


EM 2017!
Página da primeira história de Dampyr de 2017 - "No Mundo dos Mestres", de Boselli e com desenhos de Bocci.

segunda-feira, 16 de maio de 2016


Crítica: DAMPYR. Os Mistérios de Praga de Mauro Boselli, Luca Rossi e Nicola Genzianella.

Título: Dampyr. Os Mistérios de Praga

Autores: Mauro Boselli, Luca Rossi, Nicola Genzianella

Editora: Sergio Bonelli
Páginas: 416

Ano de publicação: 2016

Preço de capa: 15,00 euro


Crítica de responsabilidade de Marika Bovenzi

Dampyr. Os Mistérios de Praga é a nova publicação da Sergio Bonelli Editore, que, mais uma vez, decidiu presentear os leitores com um volume que retrata as histórias de um dos personagens mais famosos do imaginário "bonelliano": Harlan Draka, o Dampyr caçador de vampiros. Este, de maneira geral, se apresenta como um personagem tranquilo, idealista e apaixonado, que só tem um objetivo na vida: lutar contra a estirpe das trevas.

Não faltam companheiros de aventura, como um ex-soldado, Kurjak; Tesla, uma graciosa "não morta" que precisa de nutrir-se de sangue humano para sobreviver - inspirada em Annie Lennox; Caleb Lost, uma criatura da raça dos Amesha (seres de luz que são a origem das lendas dos anjos), caracterizado com a face de David Bowie; Nikolaus, um demônio do mal capaz de invocar fantasmas, que se revela um precioso aliado de Harlan. Na esfera dos antagonistas, ao contrário, encontramos uma variedade de personagens que se sucedem em cerca de 400 páginas: de Draka, Pai de Harlan, a Duca Nergal, a Grigor Vurdlak, a Mordha, a Jan Vathek, a Gorka, e tantos outros. Como pano de fundo para estas intrépidas aventuras, encontramos a cidade gótica por excelência: Praga; cruzamento de diversas etnias e mesclada de cultura eslava, hebraica, alemã e italiana, com as suas lendas, atmosferas sugestivas e vem apresentada como a cidade dos anjos e dos demônios; uma metrópole ao mesmo tempo incantável e escura, fantástica e horrorífica.


Em Praga, Harlan Draka, caçador infalível, juntos com os seus fiéis amigos, se meterá na pista das criaturas da noite e combaterá os horrores; a decadência e os crimes escondidos da cidade. O livro é dividio em quatro histórias, coligadas entre elas. Entre elas, vamos recordar, "Sob a Ponte de Pedra", em que Harlan, Kurjak e Tesla encontram pela primeira vez, Caleb Lost, e decidem de residir permanentemente na cidade; e "Doutor Cinderela", em que a realidade histórica da época, como as enchentes de 2002, se funde com personagens da lenda local, como o Dr. Dee e o poeta Holan.


Inútil dizer que o estilo de Mauro Boselli no argumento é simplesmente sublime. O autor consegue - através das palavras - ser irônico, afiado, obscuro, preciso, apaixonado e misterioso. Além disso, na minha opinião, consegue representar fiel as lendas que envolvem Praga, citadas nesse volume. Quanto aos desenhos, Luca Rossi consegue evocar o lado tenebroso, tétrico e inatingível seja dos lugares seja das pessoas, e graças a traços elaborados e não em esboços, desta dois elementos importantes:a ambiguidade e a oscuridade. Um volume sugestivo, de traços oníricos e surreais, aconselhado para todos os leitores que sempre seguem as aventuras de Harlan Draka, mas também aos que querem mergulhar na poeticidade gótica de Praga.


Crítica publicada originariamente no blog: letteraturaecinema.blogspot.com