segunda-feira, 1 de junho de 2026

 
Dampyr 313-314
"Os pântanos de Kasane" e
"A vingança da Yurei"
 
Crítica aos álbuns de Mauro Boselli e Giorgio Gualandris 
 
Retornamos ao Japão com um díptico que explora a narrativa de Dampyr através da lente do Kwaidan, a tradição japonesa de histórias de fantasmas. A história de Kenshin começou na edição 77 (intitulada apropriadamente Kwaidan), e aqui seu relacionamento com Keiko e o relacionamento entre Keiko e Yumi são finalmente esclarecidos. A obra combina habilmente com a continuidade de Dampyr, construindo uma aventura em torno da ideia de que a dor emocional - amor traído, morte violenta, solidão - deixa marcas indeléveis no mundo e continua a afetar o presente através de figuras fantasmagóricas que não encontram paz.
 
O primeiro álbum tem uma estrutura excelente. Mauro Boselli opta por manter Harlan quase completamente fora de cena, deixando amplo espaço para reconstruir a história dos dois amantes através de reencarnações, memórias sobrepostas e a incursão da maldição de Kasane. É um exercício estilístico ao estilo de Kwaidan que funciona com uma sintaxe de terror cuidadosamente construída e um fluxo emocional lento, por vezes dramático. A entrada de Harlan no final - simultânea ao desaparecimento de Keiko - estabelece os desenvolvimentos da próxima edição com a dose certa de tensão.  
 
A segunda metade da história luta para encontrar seu ritmo, especialmente na primeira parte, onde a necessidade de conectar os fios da trama leva a alguns momentos de excessiva procrastinação. A narrativa ganha impulso com a chegada dos dois policiais bem caracterizados, que injetam novo fôlego em uma história que corria o risco de se perder em sua própria complexidade. O final ágil traz a história a uma conclusão satisfatória, provando-se crível e eficaz.
 
A atenção às referências, ao cenário e à representação eficaz de todas as personagens - mesmo as secundárias - ajudam a manter a história coesa, apesar dos longos desvios e dos momentos menos intensos.
 
O trabalho de Giorgio Gualandris é excepcional. Sua atenção aos rostos, detalhes, expressões e atmosfera é quase obsessiva - particularmente na primeira parte. Cada quadro possui uma densidade visual que imerge o leitor não apenas na narrativa, mas também no fluxo emocional de todos os personagens, incluindo Keiko, que é tratada com particular sensibilidade (suas feições transmitem tanto fragilidade quanto intensidade); mas até mesmo os personagens secundários recebem uma atenção que os torna críveis e adequados. 
 
 
 
Publicado originariamente no site: www.ubcfumetti.com

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