Dampyr 313
Canto noturno
Crítica ao álbum de Luca Barbieri e Andrea Del Campo
Luca Barbieri constrói sua estreia em Dampyr - ambientado em Fordlândia, um assentamento industrial engolido pela floresta amazônica e hoje pouco mais que uma ruína que alguém gostaria de trazer de volta à vida - em torno da figura de Camille Monfort, uma cantora de ópera francesa não-morta, criada pelo escritor brasileiro Bosco Chancen no romance gótico Após a Chuva da Tarde (2021) e difundida na internet, em poucos anos, como uma lenda urbana.
Camille funciona. Ela não é uma personagem transcendental, mas entre as referências à lenda e a construção narrativa que Barbieri lhe dedica, ela consegue, graças ao charme com que é retratada, não se tornar uma história enfadonha. O resultado é uma aventura fácil de ler e, por vezes, até mesmo agradável. É uma pena que a multinacional maligna seja pouco mais que um clichê, permanecendo um mero pano de fundo sem qualquer ambição.
Ao mesmo tempo, a floresta amazônica, que tem todos os motivos para ser uma protagonista silenciosa, também permanece em segundo plano.
As questões ambientais e sociais que o local acarreta são abordadas apenas superficialmente. O
resultado é uma aventura agradável, mas demasiado fechada e com pouca
amplitude. A rigidez habitual de Harlan e Kurjak (com a sua abordagem de atirar primeiro e perguntar depois) não ajuda em nada.
Andrea Dal Campo entrega mais uma vez um trabalho primoroso. A atenção aos detalhes nos rostos, a intensidade das cenas de ação e o uso das locações são excelentes.
Publicado originariamente no site: www.ubcfumetti.com


















