segunda-feira, 24 de janeiro de 2011


10 ANOS DE DAMPYR: ENTREVISTA COM ALESSANDRO SCIBILIA

Excelente desenhista, mas ainda desconhecida da maior parte dos leitores, Alessandro Scibilia está trabalhando na sua primeira edição de Dampyr, agendado para o outono de 2011.

Por hora, publicou pequenos volumes auto-conclusivos de "Il Sorriso della Bagiua", um quadrinho que está levando à frente, com seu irmão Andrea. Para saber mais acessem: http://www.ilsorrisodellabagiua.com/

De Dampyr já tinha assinado a capa do Especial "Lucrezia" e o cartaz da primeira edição do Festival Autunnonero, do qual é Vice-Presidente, que teve o nosso meio vampiro como destaque da última edição.

Primeiramente fale um pouco de você. Como iniciou-se na carreira de desenhista de quadrinhos?
A minha carreira nos quadrinhos, teve um percurso muitíssimo tortuoso, mas apesar disso, olhando para trás, percebi que cada pedaço desse caminho, se enquadra perfeitamente no próximo, até mesmo às escolhas que inicialmente eu considerava erradas. Devo agradecer à minha professora primária, que me encorajou e gentilmente me acompanhou no primeiro curso de desenhos. Depois de um período ruim, sem criatividade, melhorei. A culpa foi minha, por causa da preguiça e ignorância, esqueci completamente o endereço dos estúdios e não escolhi um instituto de arte.

Deixei a escola e comecei a trabalhar com meu pai, mas não abandonei mais o desenho e continuei a dedicar-lhe todo o tempo que tinha, finais de semana inclusive. Era, porém, somente uma paixão e não tinha ainda considerado seriamente a possibilidade de transformar-me num desenhista.

A descoberta veio quando conheci Carlo Marcello, amigo e cliente de meu pai, que na época estava trabalhando na sua primeira história de Tex. Quando ele me convidou para ir ao seu estúdio e me mostrou suas páginas despertou algo em mim. Daquele momento em diante dediquei todo tempo que tinha livre ao desenho e todo sábado ia até ele para mostrar-lhe meus desenhos. Recordo com imenso prazer os bate-papos com ele, os seus conselhos, mas sobretudo suas críticas, que foram uma verdadeira escola que adotei no meu cotidiano. Uma dia Marcello convidou a mim e a meu irmão Andreia, a acompanhá-lo a Sergio Bonelli Editore, em Milão, e lá, pela primeira vez, vi as várias fases do nascimento de uma história em quadrinhos. Depois daquela visita, passei admitir seriamente a possibilidade de me transformar num desenhista de quadrinhos e, graças a meu irmão, que intermediou junto ao meu pai, para que esse, reduzisse a minha jornada de trabalho e eu tivesse tempo de me dedicar mais ativamente aos quadrinhos.

Males que vêm para bem...pois fraturei minha perna e isso acabou sendo motivo de sorte, pois Marcello me deu algumas páginas do roteiro de uma história de Mágico Vento em que estava trabalhando (história que não foi publicada, mas que será lançada no próximo especial) e pela primeira vez me confrontei com a dificuldade de desenhar seguindo às indicações de um argumentista. Pouco depois comecei a trabalhar com meu irmão e veio a luz, o número 0 de "Il Sorriso della Bagiua - "Nox Profunda", que foi publicado em 2004, pela Innovation, a editora de meu amigo Diego Lupano.


Depois daquele número zero (com capa de Angelo Stano) se falava de uma publicação regular por parte da D/Visual, mas, até hoje, a série "Il Sorisso della Bagiua", é ainda inédita. O que aconteceu?
O número zero de "Il Sorriso della Bagiua"
,
recebeu uma recepção calorosa por parte do público e dos profissionais de quadrinhos e com Andrea, pensamos em criar uma mini-série. A D/Visual que tinha há pouco tempo iniciado umas publicações na Itália, se interessou em nós e rapidamente firmamos um contrato. Não nos parecia verdadeiro, que nosso trabalho agradasse a Go Nagai em pessoa e que a nossa série foi a primeira italiana publicada também no Japão. Depois de 2005, "Il Sorriso della Bagiua", foi apresentada com sucesso em Lucca, comecei a desenhar, mas infelizmente, depois de um belo momento, chegamos a um triste parentese humano e profissional. Com um inexplicável comportamento, a D/Visual interrompeu pagamentos e contratos, rapidamente tornando-se indisponível. Por causo do contrato, ficamos impossibilitados por um ano, sem poder fazer nada e com umas quarentas páginas finalizadas. Foi um período difícil, tanto que estávamos prontos para desistir de tudo, mas uma série de circunstâncias nos levou a realizar em 2006, o Especial "Interludium", uma ponte entre o passado e o futuro do "Il Sorriso della Bagiua".

Para mim e Andrea, "Il Sorriso della Bagiua", é uma parte muito importante de nossa vida profissional e a qual estamos muito ligados. Depois do problema com a D/Visual, Andrea reescreveu novamente o roteiro da mini-série. Graças a sua maior experiência, a história tomou caminhos inesperados,
tanto que, de má vontade, tivemos que nos desfazer de páginas já terminadas. A culpa do atual momento é minha e assumo completamente a responsabilidade. A vontade de continuar a série existe e o número 1, está pronto a meses. Andrea já escreveu o número 2, mas por causa do meu trabalho com Dampyr e com o Autunnonero, ainda não estou com tempo para começar a desenhar. Uma vez concluída minha história de Dampyr, me dedicarei a fazê-lo...
Como entrou para o staff de Dampyr e como foi passar de um quadrinho independente para um quadrinho Bonelli?
Pouco depois do lançamento do número zero de "Il Sorriso della Bagiua", Andre e eu fomos enviados a expor algumas páginas originais no antigo Castelo Sobre o Mar. Durante a cena no místico "U Giancu", o restaurante dos quadrinhos de Fausto Oneto, apresentamos o quadrinho e, entre os autores, encontramos Giancarlo Berardi, que me aconselhou a enviar umas páginas de teste a atenção de Mauro Boselli, pois meu estilo seria perfeito para uma série como Dampyr. Mas pouco depois, iniciou-se a tentativa de acordo com a D/Visual e não fiz o que ele me orientou.

Depois dos problemas que acabei de mencionar, no Autunnonero 2006, partindo de uma idéia de Andrea, que nasceu na primeira edição do festival de folclore, cultura e horror, que aconteceu em Trioria. Andrea chamou Boselli e lhe perguntou se havia a possibilidade de utilizar Dampyr, como personagem-imagem do evento, porque a série refletia perfeitamente a temática, querida por nós, que iríamos ter no curso do Autunnonero.Era nossa intenção usar Harlan Draka como roteiro no cartaz que realizei. Mauro Boselli imediatamente se entusiasmou com a idéia, tanto que em seguida participou do final de semana dedicado ao quadrinho, e concordou com Andrea, que lhe tinha mostrado o desenho para sua aprovação. Assim nasceu a ilustração com Harlan Draka e Isabela do "Il Sorriso della Bagiua". Alguns meses depois do nosso encontro em Trioria, Boselli me contactou para realizar as páginas de teste para Dampyr. Não parecia verdade! Os meus testes agradaram e em pouco tempo me foram entregues, as primeiras páginas do argumento da história, que estou terminando e será lançada em 2011.

Naturalmente passar da "Bagiua" a Dampyr, comportou algumas trocas, que precisei me adaptar, para realizar as páginas. Primeiramente a composição do "quadrinho a quadrinho", na Bonelli isso é muito mais clássico, e então o meu estilo, que atenuei em favor do todo. Os tons de cinza dados com pincel a seco, de fato, não poderiam sair na impressão. Para o resto, a abordagem da história é a mesma, me agrada muito o realismo e em ambos, os quadrinhos deram muita importância às ambientações. A única diferença está na documentação, que para "Bagiua" é mais difícil de encontrar (a história se passa na Liguria di Século XVI). Para Dampyr, que se passa nos nossos dias, documentação não falta e Boselli é muito meticuloso na formação das imagens.
Conte-nos alguma coisa a mais, sobre a edição em que está trabalhando.
Aqui tenho que ter cuidado para não falar demais. O "Boss" Boselli pode me ouvir... A história se passará entre os castelos e as colinas da Escócia e veremos o retorno dos Caçadores de Fantasmas, o time completo, e de Duncan McGilivray e Stuart Morison vistos na edição "O Mistério do Lago Torridon", que tem a ver com... como "Boss"? Ah, ok, já falei bastante...
O seu amor por Dampyr já existia antes de trabalhar com ele. Quais são, para você, os pontos de destaque e os pontos fortes da série?
Sigo Dampyr desde o numero 1 e tenho todas as edições, das quais eu tenho muito ciúmes. Gostei rapidamente da presença de vampiros e do folclore que permeia todo episódio. Boselli conseguiu criar um universo narrativo muito complexo, rico de personagens carismáticos e se atentou para os diversos tipo de leitores. Eu acho que as suas histórias são muito ricas de idéias e de citações históricas e literárias, para quem queira se informar, mas ao mesmo tempo acessíveis a todos. Outro ponto forte são as viagens, não somente ao lado escuro, mas que nos leva a visitar os lugares mais inusitados e perfeitamente representados, além das ambientações, na história e nas caracterizações de época. É uma série em contínua transformação entre passado, presente e futuro, que nos reservará muitas surpresas...

Como leitor quais são as histórias que mais gostou?
Devo
ser sincero por causa dos meus recentes trabalhos, estou atrasado com a leitura das últimas edições, mas posso dizer que, daquelas escritas por Boselli, posso citar: "Transilvania Express", "O Segredo das Sete Cidades", "Lobisomens", "Os Caçadores de Fantasmas", "A Coluna Infernal", "Os Sonhos de Lisa" e a "A Lenda da Velha Ponte". Das escritas por Cajelli: "A Foto que Grita! e "O Navio Fantasma".

Agradecemos a Alessandro pela disponibilidade e os deixo com uma bela galeria de páginas e desenhos inéditos de seu Dampyr, que será lançado e desenhos inéditos quer será lançado em 2011.
Matéria publicada no site: http://pianetafumetto.blogsfere.it
Tradução: Janete e Joe Fábio Mariano de Oliveira

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